segunda-feira, 6 de junho de 2016

Lançamento do livro A PALAVRA NO ESPELHO


A ensaísta, pesquisadora e professora de História da Arte e da Cultura, Cristina Ávila lança no próximo dia 21 de junho, às 19 horas, na livraria Quixote, seu mais recente livro “A Palavra no Espelho – os reflexos da imagem no Barroco Mineiro”, através do Instituto Cultural Amílcar Martins – ICAM, como parte de sua preciosa “Coleção Memória de Minas”.
Com 40 anos de atividade na área de cultura e artes, onde se iniciou oficialmente aos 18 anos, como estudante de História da FAFICH/UFMG, tem em seu currículo diversos livros publicados, curadoria de exposições e participação em congressos no Brasil e no exterior.
Filha de dois dos maiores nomes de intelectuais mineiros, Affonso Ávila e Laís Corrêa de Araújo, não renuncia a sua linhagem familiar, ao contrário, honra e respeita sua história de vida. Ao lado do pai, tornou-se militante em prol da cultura e arte mineiras, tendo trabalhado com o patrimônio histórico, arquivístico e museológico. Desde 2001, herdou a direção da revista Barroco, da qual foi responsável pela edição dos dois últimos números, 19 e 20.
O livro que apresentamos vai além desta conhecida militância familiar e alcança um estatuto de erudição particular, como afirma o professor Amílcar Martins Filho, na apresentação do livro.
A obra se destaca como estudo Inter- semiótico dos temas, dos signos e dos sinais presentes na documentação sermonística e na obra litúrgica, vastamente pesquisada. A autora compara a literatura sacra com as referências visuais da época, compreendendo não só a literatura barroca como também as artes plásticas como linguagens que se interligam por intermédio de recursos ornamentais, temáticos, artísticos complementares e auxiliares para a transparência de uma semântica barroca.
Segundo o curador e crítico de arte Nelson Aguilar que assina o prefácio, em A Palavra no Espelho, ” não é de qualidade literária que se trata, mas do milagre sinestésico das Gerais onde música, letras, formas se conjugam para cantar a singularidade de um modo específico de estar no mundo. Nessa pluralidade, examina-se o dueto entre imagem e palavra em modo especular”.
Cristina Ávila desvanece a dicotomia entre imagem e palavra mostrando a porosidade entre os âmbitos, pratica uma espécie de vazamento entre os dois códigos no Barroco Mineiro e desmistifica a grande arte diante das manifestações mais simples dando, a essas, estatuto ontológico de cultura e validade histórica. É o que se verifica, com toda justiça, na análise das pinturas parietais da Matriz de Santo Antônio de Itaverava, e nas legendas das mesmas em latim erudito e na graça de paráfrases locais. Registra-se a delicadeza do texto de Cristina que, sem perder qualidade histórica, ganha contornos poéticos, tornando sua leitura agradável e instigante para estudiosos e admiradores da História da Arte.

Cabe destacar o trabalho cuidadoso de Sérgio Luz que assina a coordenação editorial, a produção e o projeto gráfico que clarifica o livro. Mais uma das muitas e importantes publicações do Instituto Cultural Amílcar Mineira, que preza, guarda e preserva a memória de Minas.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Teatralidade barroca e rococó

Nos séculos XVI e XVII, pintores de retratos se encantavam com as possibilidades pictóricas das vestimentas barrocas e rococó, cujas obras são a celebração do estilo da harmonia. Eles reproduziam a beleza dos vestidos, mas procuravam expressar também o refinamento de quem as usava. As mais retratadas eram as chamadas "belless savantes", as belas sábias, interessadas em arte, literatura e filosofia, cujo melhor exemplo é Madame de Pompadour. Ela era muito retratada lendo a enciclopédia ou simplesmente trajando um simples vestido, como ícone da moda e do bom gosto. Atitude que foi levada como provocação, mais tarde, por Maria Antronieta, com consequencias funestas. (Figura: Madame Pompadour - Maurice Quentin - 1755)

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Giacometti

"Não posso evitar tocar as estátuas: desvio os olhos, e minha mão continua sozinha suas descobertas: pescoço, cabeça, nuca, ombros... Sensações afluem às pontas dos meus dedos." O Ateliê de Giacometti, Jean Genet, Cosac & Naif.

sábado, 30 de janeiro de 2010

A veste das obras de arte

Associadas ao desejo de expressão do artista, desenvolveram-se técnicas específicas e um virtuosismo na forma de retratar tecidos, texturas, drapeados e outros detalhes tanto em pintura como escultura, que variavam em diferentes tempos e circunstâncias. Há casos como o de Velasquez, especialista na descrição pictórica de trajes da corte. Mas foi na primeira metade do século XIX que o realismo descritivo chegou ao auge na retratística de Ingres. Entretanto, logo houve o rompimento paradigmático de Edgar Degas, que usou o próprio vestuário como forma de arte, abrindo perspectivas para as vanguardas que viriam a seguir.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Monoquini

A peça topless chamada monoquini foi muito celebrada nos anos 60. Foi criada na Califórnia, EUA, por Rudi Gernreich em 1964. Era uma década de experiências inesperadas no vestir-se, cujo exemplo mais importante foi a mini saia. O monoquini foi um exemplo ou símbolo de liberdade para a mulher que queria expor-se de forma quase nua ao sol. Cobria o corpo a partir das coxas até um pouco acima da cintura, na qual duas tiras finas se cruzavam entre os seios e sobre as costas. Nunca atingiu a popularidade do biquini. O maiô de duas peças, no Brasil, encolheu a parte inferior chegando a deixar as nádegas de fora, transformando-se no famoso "fio dental". A parte de cima também encolheu, sendo o modelo mais usado o de tirinhas, que faz com que o sutiã seja regulável conforme a vontade da mulher. O topless, muito usado na Europa e em praias de nudismo, tratou antes de abolir a parte superior do biquini e deixou de lado o pouco estético monoquini. Hoje as versões de biquini variam das mais clássicas, de calcinhas na altura do umbigo tampando toda a nádega, com sutiãs de bojos, miniblusas com drapeados e os tradicionais biquinis coloridos, mínimos, de shapes mais apropriados para o sol nas areias tropicais do que em iates.

Arte da alfaiataria e as ombreiras

A arte da alfaiataria requer uma ordem estética de medidas proporcionais, todo encurtamento ou modificação específica de um traje é compensado por um alongamento ou outro tipo qualquer de ênfase. Realizar estes ajustes e adaptações e por em circulação o uso universal dos shapes assim produzidos é o que entendemos por uma moda feita de acordo com a alfiataria. As transições de um estilo para outro processam-se gradualmente. Exibem um crescimento orgânico chegando até mesmo aos limites da modelagem, para depois, lentamente retroceder. E então surge um novo traço estilístico e o processo volta a reetir-se, em obdiência a uma lei não escrita. A lei do profundo significado do espírito humano que não apenas constrói um tipo corporal, como também cria as roupas que o vestem. É o caso das ombreiras na moda feminina de alfaiataria. Essas foram símbolo da emancipação feminina dos anos 30 (pós crise de 29), dos anos oitenta (a mulher executiva) e hoje volta em tom lúdico representando uma nova mulher que, tem poder, é executiva e dona de seu nariz.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Cinto

O cinto origina-se de uma cinta ou faixa militar usada em volta da cintura para segurar as roupas ou sustentar armas. Na moda feminina a popularidade do cinto só depende da linha da cintura de acordo com o shape da época. Na realidade o cinto só passou a ser importante na década de 1850, quando costumava a ser feito com mesmo tecido do vestido ou da saia. No final do século XIX, por influência do art nouveau, cinto com fivelas decorativas tornaram-se populares. Após a Segunda Guerra Mundial, os cintos ficaram mais largos, afim de chamar a atenção para a cintura fina e os quadris largos do new look, tendência que se estendeu pela década de 50. Nos anos 60, os cintos de couro, de plástico e de corrente douradas foram uma febre, e houve uma breve tendência de uma versão do cinto de caubói com fivela grande. Nos anos 70, apareceram cintos de estilo masculino geralmente de couro em larguras e modelos diferentes; os de couros vibrantes, tiveram especial popularidade. Na virada dos anos 70/80, a influência dos estilistas japoneses na moda suscitou a tendência de cintos enrolados várias vezes em torno do corpo. Os anos 90 lançaram cintos de borracha, pástico, camurça, metal, couro, ouro e tecido de shapes que iam dos que se assemelhavam a espartilhos reduzidos, feitos com barbatanas e entremeios de elástico até os mais finos. A virada do século foi glamurosa em cintos de estilo retrô, new look, faixas amarradas, obis, cintinhos reduzidos de verniz, revelando uma tendência: – a cintura alta e bem marcada. Não é mais importante que o cinto segure a roupa na cintura, mas que seja um item de acessório para chamar atenção e complementar a vestimenta.

Botão

O botão começou a ser usado como parte decorativa do vestuário no século XIV, não com sentido prático que conhecemos hoje, mas de acordo com tendência de moda. Eram mais habituais fechamentos de trajes com tiras e laços. No início do século XIX, botões de tecidos feitos a máquina e botões de cerâmica, vidro e papel machê já existiam, mas não apareciam muito na moda. Em meados do mesmo século, conchas, madrepérola, vidro preto, aço e latão e chifre moldado começam a ser usados como parte integrante do design de moda. Vestidinhos e blusas eram feitos com muitos botõezinhos. Na década de 1880, tornaram-se populares botões feitos de vidros, porcelana ou coberto de bordado. Essas tendências continuaram até a Primeira Guerra Mundial, quando, por motivos econômicos houve um declínio na quandidade de botões utilizados. Nos anos 1920/30, o movimento art decó interessou-se por botões de madeira, cortiça e plásticos. O design desses era parte estratégica do modelo das roupas. Apareceram botões em forma de animais, cestas de frutas ou mesmo maços de cigarros. Mainbocher apresentou botões de pressão prateados, Rochas lançou-os em forma de livros abertos e Patou adornou seus trajes com botões em formato de vasos de flores, raposas, sereias e cobras. Schiaparelli também utilizou botões inusitados, sendo os mais conhecidos os botões de acrobata de seu casaquinho "circo". Após a Segunda Guerra Mundial, os botões ficaram menos decorativos e mais funcionais.

sábado, 16 de maio de 2009

New Look

Estilo de moda geralmente atribuido a Christian Dior. Em 1947, Dior lançou a linha corola, assim chamada por causa das saias godês que se abriam como flores a partir de corpetes justos e cinturas bem finas. A coleção foi chamada de New Look pelo editor de moda americano Carmel Snow. As saias eram extremamente exageradas, gastando cerca de 13 a 22 metros de tecido, depois eram forradas com tule para ficarem armadas. Os corpetes eram bem justos para realçar o busto e acentuar a cintura. O look era o extremo oposto das roupas econômicas impostas pelo racionamento da Segunda Guerra Mundial e o estilo provocou controvérsias em todo o Ocidente. Embora muitas mulheres tenham adotado o estilo, outras se manifestaram contra. Mulheres indignadas com os excessos estilisticos da nova moda frente a uma Europa que precisava ser toda reconstruida organizaram piquetes na maison Dior. O feitiço virou contra o feiticeiro, e o nome Dior tornou-se famoso da noite para o dia.

Após a crise vem a bonança

O ditado popular diz que: depois da tempestade vem sempre a bonança. Foi o que aconteceu com a Paris do pós-guerra, que se tornou uma meca da moda. Os estilistas que haviam estabelecido suas reputações na década de 30 restabeleceram suas maisons e foram acompanhados por talentosos recém chegados. Mulheres com dinheiro podiam escolher dentre uma série de costureiros talentosos, muitos dos quais eram membros do poderoso corpo profissional, a Chambre Syndicale de la Couture Parisienne. Em 1956, havia 54 casas de alta-costura sediadas em Paris com registro junto à Chambre. Ao longo de toda a década de 50, elas forneceram roupas impecáveis a uma clientela que ficava cada vez mais rica. Jacques Fath tornou-se uma força condutora da moda após a guerra, fazendo vestidos tubo, que delineavam as formas ou modelos esvoaçantes mais fluidos. Pierre Balmain tornou-se famoso por suas roupas refinadas e ultra-femininas que foram chamadas de coleções Jolie Madame (mulher bonita). Esses costureiros de destaque, entre outros, conseguiram uma clientela fiel, que incluiam a realeza e atrizes de cinema. Os trajes mais elegantes constituiam-se de alfaiataria, com detalhes bem definidos e angulares, vestidos de coquetel curtos, glamurosos trajes de noite, muitas vezes em cetim ou veludo bordado e, para noites de gala, vestidos com corpetes apertados e longas e amplas saias em organza ou cetim bordados, que lembravam os trajes mais exulberantes do século XVIII. Vestidos de chiffons colados ao corpo, drapeados e minunciosamente plissados também eram populares, mas a melhor coisa foi a popularização das griffes parisienses através de cópias de desenhos e modelagens para revistas e a entrada de modelos similares e industrializados de boa confecção, que deram condição a classes intermediárias de conhecerem o bom gosto francês. A aposta industrial enriqueceu mais aos empresários do que aos estilistas.

Klimt e a moda

Gustav Klimt, pintor e companheiro da manequim e dona de sua própria boutique Emilie Flöge, foi também fotógrafo de moda e atuou como estilista. Não se sabe ao certo mas, Klimt talvez tenha sido o primeiro fotógrafo de moda do mundo, ou pelo menos o primeiro a fotografar roupas ao ar livre, e não no interior de um atelier. Não é possível avaliar qual a participação efetiva de Gustav Klimt na criação dos modelos confeccionados pela boutique Flöge; no entanto, era mencionado como autor das dez fotografias publicadas em janeiro de 1907 na revista Deutsche Kunst und Dekoration, a mais importante publicação de arte decorativa em língua germânica. A mais belas roupas que concebeu - sempre para o sexo feminino - relacionavam-se para ele ao erotismo, pois toda a sensualidade do mundo encontrava-se "na silhueta feminina". Klimt compreendia profundamente a mulher, advinhava toda a linha de seu corpo, de seu traje, seu sorriso e seus movimentos. A fotografia não desmente a fantasia e os elementos inesperados de suas telas. Em sua obra "O Beijo", que se tornaria o mais famoso ícone do Jugendstil, o vestido da mulher vai além do irreal, tornando-se portador de um sonho: o encontro através de formas ovais em vários tons de dourado e ornamentos estrelados do jardim do Éden, onde Adão e Eva conheceram o pecado capital.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Mangá e a moda

No Japão, o termo "mangá" designa qualquer tipo de história em quadrinhos, tanto do tipo de personagens de Walt Disney, quanto os assinados por autores japoneses. Já no ocidente, passou a ser sinônimo de quadrinhos nipônicos. O termo mangá foi utilizado, pela primeira vez, pelo artista Katsushika Hokusai (1760-1849), mas quem o tornou popular foi Tezuka Osamu, que publicou seu primeiro trabalho em 1946 causando um grande impacto entre os jovens da época. Os personagens mangá costumam ter olhos bem grandes e brilhantes, cabelos negros espetados, muitos deles aparecendo como uma espécie de super heróis. Esses expressivos bonequinhos japoneses influenciaram as estampas e o estilo da moda, produzida pelos jovens estilistas, a partir do final dos anos 90. O traço futurista e colorido japonês adequava-se à cultura cluber que se apaixonou pelo tipo de design usando-o tanto em estampas de camisetas quanto em acessórios. Mais tarde, já no século XXI, as estampas com mangás aparecem na moda oficial.

Macacão

O macacão surgiu como peça de vestuário ampla, interiça e de caráter utilitário. Era usado por profissionais como mecânicos e operários de fábricas, e é, geralmente, confeccionados em tecidos mais resistentes como o brim. Os jovens dos anos 70 passaram a usar jardineiras utilitárias em jeans das marcas americanas Lee e Levis que foram também chamadas de macacões. Nos anos 1930 foram anunciados macacões femininos como peças que não podiam faltar nos guarda-roupas de mulheres modernas. Ao usá-las com blusas por baixo poderiam fazer passeios à praia, acampar, cuidar do jardim (dai a denominação jardineiras), estando no estilo mais chic do momento. Nos anos 70, foram reinterpretados em tecidos mais leves, até mesmo em versões para a noite. Na mesma década, foram lançados os macaquinhos, versões curtas do macacão, geralmente com ziper frontal, confeccionados em malha e em tecidos lisos ou estampados. Os anos 80, lançaram amplos modelos com abotoamento frontal. Na temporada de inverno 2009 e verão 2010, macacões e macaquinhos retornam triunfantes para todas as ocasiões.

domingo, 3 de maio de 2009

Tecido universal

Nascido no século XIX, o tecido mais resistente do mundo tem uma história confusa e já ultrapassa três séculos. Uniforme da humanidade desde o século XX, o jeans que conhcemos hoje surgiu com base em uma ideia de um alfaiate americano, um comerciante alemão, que criou uma variação de um tecido francês usado por marinheiros genoveses. Para completar o DNA da peça, a cor azul, veio do índigo, uma tintura desenvolvida na Índia. Essa história começou em 1847, quando o jovem germânico Oscar Levi Strauss abriu uma loja de secos e molhados em São Francisco, na Califórnia, no auge da mineração do velho oeste americano, onde vendia o tecido como lona para carroças ou barracas. Um de seus compradores era o costureiro Jacob David Youphes, que adaptou o tecido para fazer calças. Os mineradores adoraram a novidade, pois as roupas eram bem mais resistentes que as peças de algodão. Ao saber dessa demanda o próprio Levi Strauss contratou o Youphes e começou a fabricar calças, mas o tecido era duro demais. Pesquisando materiais, Strauss encontrou na França um tipo de brim resistente mas flexível. E começou a fazer importações da cidade de Nimes - motivo pelo qual o brim começou a ser chamado de denim. As peças não tinham uma cor definida e o alemão começou a tingir o tecido com índigo. Strauss fez outras adaptações como bolsos para guardar pedras. Em 1872, o produto foi patentiado po Strauss. Em 1899, Henry Lee fundou sua primeira empresa de calças denim e criou as fardas usadas pelo exército americano na primeira Guerra Mundial. Nos anos 20, o tecido passou a ser usado por operários e foi divulgado no cinema no filme "Tempos Modernos" em que Charles Chaplin aparecia trajando seus jeans. O cinema transformou a calça em uniforme de rebeldia juvenil, nos anos 50, através de Elvis Presley, Marlon Brando, Marilyn Monroe e James Dean. Tornou-se objeto de desejo nos anos 70 e 80 e peça de marcas de luxo desde então. Democrático e versátil, atende todas as classes sociais.

Hélio Oiticica e a arte para vestir

Hélio Oiticica foi um dos criadores brasileiros que mais esteve sintonizado com a efervescência artística mundial das décadas de 50, 60 e 70 do século XX. Hoje é um nome planetário cuja importância não se restringe à arte brasileira. Oiticica rompeu com as arestas do quadro em 1960. Seu objetivo, segundo os críticos, era fugir da parede e criar uma arte que transformasse as pessoas. Sua grande sacada se deu nos anos de vigor descomunal da década de 60 e, a partir de 1964, Oiticica passou a vestir a pessoa com suas obras de arte. Chamou-as de roupas "Parangolés" e transformou o espectador, tão acostumado ao papel passivo de assitir ao criador, em suporte artístico. Essas roupas, Oiticica usou para vestir seus amigos da Mangueira. Estes colaboradores de sua arte sambavam e assim criavam múltiplas formas arquitetônicas, dobráveis, momentâneas ou temporárias no ar. Dessa maneira o artista brasileiro criou espaços de libertação tal qual o alemão Joseph Beuys. Hoje os estilistas buscam formas de associar tecidos à arte arquitetando dobraduras que se estruturam, buscando formas mutantes ao andar. Muito antes um brasileiro fazia com tecidos uma arte performática que só, dada a distância do tempo, é possível colocar sua obra na perspectiva da história da arte, não como uma resistência acadêmica, mas como uma verdadeira invenção.

Ilustração de moda

No início do século XX, a fotografia era considerada, no mundo da moda, uma técnica incompleta, não estando, por isso, à altura de formas de arte como a pintura ou a escultura. Naquela época, a representação de uma peça de roupa só era possível em forma de desenho. Esta situação mudaria de forma abrupta com a chegada de Paul Poiret ao mundo da moda. Paul Poiret foi o primeiro estilista a reconhecer a utilidade da ilustração de moda e as suas múltiplas possibilidades criativas. Mais que a própria roupa, os seus desenhos representavam emoções, gerando assim uma perspectiva idealizada das criações. Seus ilustradores prediletos eram George Barbiers, Georges Lepape e Paul Iribe. As ilustrções caracterizavam-se pelo uso de gravuras, aquarelas e pintura a pastel, algumas vezes lápis de cera. Eram feitas para revistas de moda e só foram dando espaço para a fotografia nos anos 60. Atualmente, assiste-se a um renascimento da ilustração de moda, graças da difusão das técnicas digitais e a correntes de um estilo novo que misturam as técnicas de programas de computador a formas lúdicas como colagem, grafite e lápis de cor. Já se podem ver imagens de jovens ilustradores em revistas como a Nylon, a i-D ou a Purple que atraem a atenção de um leitor artsy.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Alta costura na pré-história

Não só de peles se cobriam os homens da pré-história. A invenção do torno de cerâmica coincide com outras invenções do período, como os primeiros artefatos de pedra polida, que são tranformados nas primeiras jóias conhecidas. São braceletes e colares de contas com os quais se ornamentavam os homens e mulheres da caverna. Mas a essa altura eles já conheciam a costura e criavam modelos em formas de corpetes com detalhes em franjas costuradas, formando mangas, decotes, babados e acessórios, como pequenas pochetes trançadas em palha, que penduravam na cintura. É pura coincidência, mas segundo consta, a primeira agulha feita de espinha de peixe foi encontrada por arqueólogos em escavações onde hoje fica a França, terra de grandes estilistas.

1930-1938 - Moda em época de recessão

Após o colapso da bolsa de Wall Street, em 24 de outubro de 1929, que causou, da noite para o dia, a bancarrota de multimilhonários e enormes companhias internacionais, a indústria da alta moda francesa se viu frente a encomendas canceladas e compradores privados sem capital. Para enfrentar a depressão esilistas reduziram seus preços e a alta costura deu lugar, cada vez mais, a pronta entrega, reduzindo itens caros como tecidos brocados e substituiram o bordado por estampas mais baratas. A produção em massa aumentou o volume padronizado de roupas. As peças informais começaram a ser usadas também à noite sem perder o refinamento. Os estilistas de moda feminina apresentaram modelos mais suaves, que acentuavam os contornos dos corpos. As cinturas ganharam cintos e os shorts tornaram-se vestimentas aceitáveis para as mulheres em clubes de esportes, enfatizando a saúde e a beleza das pernas. Os óculos escuros tornaram-se acessórios altamente desejáveis. Os vestidos de noite de costas descobertas foi uma inovação da moda da recessão para enfatizar o leve bronzeado. As roupas de baixo encolheram e a introdução de tecidos mais baratos e informais para trajes de noite foi um enunciado de moda flexível e econômico. Chanel usou na primavera-verão de 1931 piquê de algodão, cambraia, musselina e organdi em seus vestidos de noite.

domingo, 23 de novembro de 2008

Máquina de costura

No século XVIII, foram registradas as primeiras tentativas de invenção de uma máquina de costura que não tiveram sucesso. A primeira que realmente funcionou é datada de 1830 e foi criada pelo francês Barthelemy Thimonier. Segundo consta a invenção causou a fúria de alfaiates que a destruíram por considerá-la uma ameaça ao seu meio de vida. Em 1846, o americano Elias Howe Jr. construiu e patenteou a primeira máquina de costura que 4 anos depois foi aperfeiçoada por outro americano, Isaac Singer. As famosas máquinas Singer revolucionaram o mundo. Transformaram donas de casa em costureiras criando um meio de vida razoável para a mulher na virada do século XIX para o XX. A mulher podia contribuir discretamente com a renda familiar sem sair ostensivamente de casa, não constrangindo a capacidade profissional de provedor do homem. A máquina Simger era capaz de costurar continuamente até que a linha terminasse. Depois da Singer, já foram criadas milhares de máquinas de costura.

Motivos fundamentais da vestimenta

Por muito tempo os historiadores identificaram como função fundamental da roupagem a proteção contra o frio. No entanto, grande parte da raça humana teve origem nas regiões mais quentes da terra, o que mostra que a roupa não é tão essencial para proteção mesmo num clima úmido e frio. Uma segunda teoria seria a do pudor, que, além de parecer gozar da autoridade da tradição bíblica, basta lembrar da folha da parreira, tem vasto estudo no campo antropológico. Mas a grande maioria dos estudiosos têm, sem exitação, considerado o enfeite como o motivo que conduziu em primeiro lugar a adoção de vestimentas. Os enfeites denotam sinais de posição de poder, de localidade ou nacionalidade, ostentação de riqueza, extenção do próprio corpo físico, aumento ou diminuição do poder sexual, entre outros motivos.

Criações Critina Ávila

Criações Critina Ávila
Calça de moleton skin

Vestido de malha manga longa

Vestido preguinhas de tricoline

Vestido de coquetel de tafetá